“ÁRVORES CERTAS NOS LOCAIS CERTOS”.
Sempre que se
planeja a implantação de árvores em meio urbano, a palavra diversidade deve ser
considerada, em todos os sentidos:
• Diversidade de
espécies: atualmente recomenda-se como regra básica procurar densidades que não
ultrapassem 30% de uma única família de árvores, 20% de um único gênero e 10%
de uma única espécie.
• Diversidade
genética: quanto mais diversa for a origem geográfica dos espécimes plantados,
maiores serão as chances de se conseguir essa diversidade, contribuindo para
possíveis tolerâncias a adversidades ambientais e ataques de pragas ou doenças.
• Diversidade de
idade das árvores: diferentes estágios de desenvolvimento das árvores,
permitindo a renovação suficiente do estoque de indivíduos.
• Diversidade de
formas e hábitos de crescimento das espécies: tendo em vista a importância e
necessidade de se combinar as espécies aos locais onde serão plantadas.
Qual tema
iremos abordar?
1.
O
que plantar sob a fiação elétrica?
2.
A
escolha das espécies adequadas para plantar sob a fiação e em locais sem
fiação.
Vamos começar?
1. O
que plantar sob a fiação elétrica?
Ø Quando houver rede elétrica:
ü
Planejar
junto com a concessionária de energia a escolha das espécies e o plantio.
ü
Priorizar
espécies de menor porte, ou que apresentem possibilidade de condução da copa e
crescimento lento.
ü
Quanto
ao espaço físico disponível, é fundamental que seja considerado em sua
totalidade, isto é, o espaço disponível nas calçadas ou passeios, assim como em
seu entorno, nos seus diversos níveis e convivência.
A escolha das espécies adequadas para plantar sob a fiação e em locais sem fiação.
Planejamento da
arborização quanto à escolha das espécies:
• Considerar os
elementos da paisagem pré-existentes, especialmente os conjuntos arbóreos.
• O plantio de
uma só espécie ao longo de uma via ou uma área pode ser interessante, pois
facilita o planejamento das intervenções na arborização, cria um belo efeito
paisagístico e torna-se uma referência valiosa para a comunidade. No entanto, a
diversidade é importante no planejamento global e diminui os riscos de perda da
vegetação por ataque intenso de pragas ou doenças. Portanto, se a área de
plantio for expressiva, o ideal é tentar atender a ambos os objetivos,
alternando espécies, porém formando conjuntos.
Outra proposta
interessante é o emprego de “coleções de plantas”, de uma mesma família, por
exemplo, em um determinado espaço.
• Sempre que possível, privilegiar espécies:
– Que produzam copas expressivas, que proporcionarão conforto ambiental às áreas. – Diversificadas, considerando diferentes épocas de floração e frutificação, o que favorecerá a paisagem e a presença da fauna.
– Que produzam aromas agradáveis (folhas, madeiras, flores). – Nativas regionais da flora brasileira, adequadas à arborização urbana, sobretudo aquelas reconhecidamente úteis à fauna. – Resistentes ao ataque de pragas e doenças, tendo em vista a inadequação do uso de agrotóxicos no meio urbano.
• Deve-se evitar
o plantio de espécies: – De baixa resistência. – De porte excessivamente grande
em passeios, sobretudo aquelas suscetíveis à queda, especialmente nos locais
onde é intenso o fluxo de veículos e pedestres.
– As que perfilham.
– Que contenham
brotos ou flores que possam causar alergia, frutos e folhas venenosos, frutos
grandes ou que manchem, espinhos ou acúleos.
– Que possuam
folhagens que criem sombreamento excessivo, em locais de pouca incidência de
luz solar.
– Junto a
imóveis com a existência de varandas e sacadas, de modo a permitir o acesso à
residência.
– Que possam
esconder vistas de interesse, considerando eixos de perspectivas. • Equilibrar
o uso de espécies:
– De crescimento
lento com outras de crescimento mais rápido, para que os efeitos favoráveis da
arborização sejam proporcionados em prazos mais curtos e por períodos mais
longos.
– Caducifólias e
perenes, quando o plantio for expressivo em uma determinada área, sobretudo se
muito árida. Considerar a presença de calhas e bueiros no caso das espécies
caducifólias especificadas.
– Qual é o
significado de caducifólias?
Caducifólia
significa folhas que caducam, ou seja, folhas que caem. Esse processo ocorre na
estação do inverno e volta a brotar somente na primavera.
– Qual é o
significado de perene na Botânica? Perene significa permanente, contínuo,
incessante. No caso das plantas, é a designação utilizada para aquelas que
apresentam um ciclo de vida longo. Que se conservam durante muito tempo;
duradouras.
É muito antigo o
ditado que diz:
“Na vida devemos
realizar 3 coisas: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.”
Atualmente, mais
do que nunca, sinto as pessoas com uma vontade enorme de realizar a primeira
dessas atividades, e com tanta gente querendo plantar uma árvore, chegamos em
um estágio onde é cada vez mais importante e necessário saber o máximo sobre a
árvore que escolhemos.
Plantar árvores
é uma equação de bom senso, principalmente quando falamos de plantio em áreas
urbanas! O primeiro passo para se chegar a um resultado positivo nesta equação
é começar sempre realizando um levantamento do espaço que receberá a árvore
quanto aos aspectos de:
Insolação
Tipo de solo
Largura da calçada
Fiação elétrica
aérea
Tubulação
subterrânea de serviços
Espaço
disponível para canteiro
Plantio direto
no solo
Proximidade de
edificações
Uso do espaço
onde será realizado o plantio: passagem de pedestres, área de estacionamento,
cercar uma área, etc.
Cada um destes
aspectos nos dá base de informações para sabermos como a árvore escolhida
deverá ser nas suas características:
Porte / altura
quando adulta
Tipo de raiz
quando adulta
Largura de copa
quando adulta
Necessidade de
incidência de luz direta
Características
do solo
Necessidades de
nutrientes
Destaque por
suas flores, frutos, folhas ou arquitetura de tronco
Nativa da nossa
bioregião ou exótica?
Cruzando estas
informações com certeza chegaremos a um número mais limitado de espécies
encontradas no mercado, que irão satisfazer nossa vontade de realizar um
plantio consciente de uma árvore
Além disso, é
cada vez mais importante fazer opção por espécies nativas da nossa região
geográfica e bioma. Por exemplo, uma árvore nativa do Brasil não é necessariamente
nativa de todas as regiões do nosso país. Árvores exóticas são assim chamadas,
por não serem nativas da região onde estão vivendo. No Estado de São Paulo,
estamos em uma das regiões mais ricas em diversidade de espécies nativas no
mundo, mas por falta de conhecimento e disponibilidade no mercado as pessoas
acabam optando por pouquíssimas opções de espécies.
Em muitas
cidades, podemos observar que muitas árvores foram plantadas sem nenhum tipo de
reflexão sobre estes aspectos, e esta atitude sem planejamento, pode levar a péssimos resultados enquanto
a árvore cresce, culminando em pedidos de poda, podas drásticas, podas de
raízes e até remoções.
Bons guias de
arborização trazem informações mais detalhadas sobre as referências de como
devemos escolher árvores e plantá-las:
* Arborização
Manual Técnico | Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente Urbana | Prefeitura
de São Paulo - Verde e Meio ambiente
https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/MARBOURB.pdf
* Manual de
Arborização Urbana | Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig
https://www.cemig.com.br/wp-content/uploads/2020/10/manual-arborizacao-cemig-biodiversitas.pdf
*Guia Elektro de
Manejo da Arborização |
https://www.elektro.com.br/Media/Default/pdf/guia_manejo_arborizacao.pdf.pdf
*Guia de
Arborização Urbana Município de Registro
Devemos sempre
ter em mente que, quando falamos em aliar o plantio de árvores com a estrutura
urbanística de uma cidade, precisamos estar muito atentos aos impactos que este
plantio trará e por isso quanto mais informação tivermos antes de plantar,
melhor.
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